quinta-feira, maio 28, 2009

O sorriso embaraçado de Monalisa



Ontem fui tentar comprar roupa para grávidas, já que as minhas não querem mais usufruir desse lindo corpitcho. Mas em algum momento da minha existência esqueceram de me avisar que mulheres TAMANHOS GRANDES não podem se dar ao luxo de se vestir.


A procura de lojas de gestantes, o que é quase como encontrar uma agulha no palheiro, entro na única do shopping e qual minha surpresa ao descobrir que só existem roupas para gestantes alla Giselle Büechen (será que é assim que se escreve? Melhor não acertar mesmo, vá que começe a receber visitas importantes...ahahahha). Sim meus caros ouvintes, GORDAS, não são bem vindas. GORDAS não merecem se vestir. Melhor GORDAS deveriam ser exterminadas desse nosso universo tão perfeitinho costruido a base de muita plástica e photoshop.


Já repararam como só existe roupas modelo-excroto para tamanhos grandes? Sempre aqueles estampas horrorozas, sempre nos mesmos tons, e em cortes quadradões que só fazem é destruir qualquer estima que resta nas gordinhas. Somado a isso a certeza de que gordinhas não merecem um bom estilista. Para que perder tempo com esses seres que só poluem nossas visões, não é? Vamos vestir todas elas com roupas de velhas, mesmo que tenham apenas 17, 20 ou 30 anos. Gordas devem se vestir de maneira igual e ridícula.


Fora o constrangimento que as GORDAS são obrigadas a vivenciar cada vez que pedem para experimentar uma calça: "Não, infelizmente nossa grade vai até o 42 acima disso somente em lojas de TAMANHOS GRANDES". Como é que é?!!!!! Para o mundo que eu quero descer. Sério! Minha irmã que é magéeeeeeeerriiiiiiiima, as vezes tem que usar esse número, porque vejam só : "ai, é que nossa confecção é pequena". Cadê o IMETRO nessa hora? Chama já o Fantástico!!! Exijo uma matéria compariva útil, e não aquelas pra ver se no rolo de papel higiênico tem 3 metros a menos do que o descrito. Sim, porque quando passamos a nominar uma calça 36 como tamanho 42, alguma coisa tem que estar muito errada nesse mundo.


Não me admira o índice absurdo de anorexias e bulemias que invadem cada vez mais as casas das adolescentes e ninguém sabe o porquê. Agora imagina, se até as magérrimas são classificadas de uma forma injusta e errônea, o que sobra para as GORDAS EXCROTAS E SEM NOÇÃO?


Sobra chorar na frente do espelho, no chuveiro, sozinhas.


Não, não tenho raiva das magras. Acho elas lindíssimas. Gostaria até de ser uma delas e me sentir parte do sistema. Mas não sou. Talvez por preguiça, como alguns devem pensar, talvez por metabolismo, ou até porque era assim que deveria ser. Só não tolero essa miopia que se instalou no planeta terra, principalmente no Brasil, de achar que todas as mulheres são tamanho ppppp. Não somos iguais. E não deveríamos ser. Se assim o fosse, seríamos robôs planejados com medidas exatas e sem erros. Seríamos chatos e sem graça. O bacana é sermos diferentes, mesmo que esteticamente não seja o padrão mais bonito do mundo.


Sim, porque no final de tudo, eu digo, realmente no final de tudo, nosso corpo é apenas a embalagem. E geralmente, no final, colocamos ela fora, não é mesmo?


See ya,


2 comentários:

Carlinha disse...

Estou totalmente de acordo contigo!

Pil disse...

Carlinha, quem sabe um dia isso mude, né?

obrigada pela visita.