quinta-feira, junho 29, 2006

Ameça Fantasma.

Nem mal terminou o dia de ontem, e o segundo round já começou. Começaram as perguntas, começaram as ameaças invisíveis e as retaliações. Aonde e como isso vai terminar?

Essa é uma pergunta que todos estão se fazendo.

A grande verdade é que continuamos na eterna luta entre patrões e empregados, entre ideologias e politicagem, entre quem ganha e quem perde, quem tem mais poder e quem tem que obedecer.

Ontem meu chefe chamou uma reunião de setor e repassou o discurso da empresa. Mas não se atreveu a dizer que deveríamos forçar nossa entrada. Hoje, o mesmo gerente que “jogou” o carro sobre a manifestante, nos pergunta de que lado estamos.

Situação difícil. Dizer a verdade, se calar ou concordar para não ter problemas?

Assim como meus colegas, optei por silenciar-me. Vergonhoso? Nem tanto. Às vezes o silêncio fala mais. E tem mais, com certas pessoas, discutir não leva a nada. Não mudarás o que pensam. Inflexíveis nos seus pensamentos não querem ouvir opiniões, querem apenas a concordância como um eco de suas vozes.

Mas o silêncio não foi suficiente. Ele queria mais. Queria que expuséssemos nossos íntimos pensamentos. Claro que não fizemos. Até porque acabaríamos passando do limite entre a sanidade e o suicídio garantido. Calados, não permanecemos, no entanto.

Explicamos que a tal liberdade de ir e vir não seria para todos (ele prega, que os manifestantes deveriam deixar as pessoas escolherem se queriam entrar ou não). Informamos que se por ventura alguns funcionários decidissem permanecer apoiando a manifestação eles sofreriam retaliações. “Retaliações?!” - pergunta ele com um ar de incrédulo, mas que no fundo soava mais como ironia. “Sim. Retaliações!” – reforçamos. Ouvimos algo que me indignou, mas não surpreendeu: “Sim. As horas seriam descontadas, mas é só isso.”. – Pois sim. E Papai Noel existe.

Coerência no discurso, por favor! A história já provou que a verdade é bem mais amarga.

Tempos nebulosos nos esperam.

E não, não sou petista, radical ou sindicalista.! Não gosto do Lula nem do PT. Odeio o radicalismo de pensamento deles. O mesmo radicalismo que não suporto no tal gerente.

Mas tenho coerência no meu discurso. Se eu gosto de ganhar o aumento (mesmo que ridículo) discutido no dissídio, se pago minha contribuição (obrigatória, querendo eu ou não), seria, no mínimo, estranho ir contra quem luta por ele.

Ou então, me dêem o direito de não pagar nada para sindicato algum , de não ter minha voz representada por ninguém , e de sofrer as conseqüências de ter que lutar pelo meu aumento sozinha.

Politicagem? Massa de manobra? Provavelmente. Mas de ambos os lados!

Um comentário:

Anônimo disse...

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