Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens

terça-feira, março 03, 2009

E a viagem começa - parte 1

Não havíamos planejado passar nossas férias no Maranhão. Na verdade, não havíamos planejado qualquer coisa. Foi devido às “forças externas” que nos vimos obrigados a tirar férias em um dos períodos mais conturbados para isso: entre o Natal e o Réveillon.
O pouco tempo para planejar e os recursos limitados não nos davam muitas opções. Tínhamos que conciliar dinheiro+tempo+disponibilidade, uma coisa nada fácil considerando a época do ano. Somado a isso todo aquele stress adorável de compras para o Natal, receber familiares, organizar festas, etc.. A solução, então, era procurar uma agência de turismo que nos ajudasse a encontrar o pacote perfeito. E foi ai que quase estragamos tudo. Digo isso, porque se ficássemos na dependência deles, jamais teríamos saído de Porto Alegre. Pacotes superfaturados, falta de atendimento adequado, atrasos nas cotações, são algumas muitas reclamações que tenho da CVC.
Mas se podemos falar de coisas boas, por que ficarmos falando das ruins, né ? Além do mais, graças a internet, hoje ninguém mais depende de uma agência de turismo para passear. Dependendo da disposição e paciência, as vezes é até melhor fazer tudo por conta. Sobra mais dinheiro, mais diversão pré-passeio, mas eventualmente micos e gorilas surgirão, sem, no entanto, atrapalhar em nada a viagem. Desde que, claro, se tenha bom humor...
No nosso caso em particular, por ser eu uma “rata de internet”, tudo ficou mais fácil. E confesso que até prefiro desse jeito. Começo a “viajar na viagem” como diz o Ricardo Freire, meesmo.
Como nossa grana estava curta e o período não era muito favorável. Acabamos escolhendo um destino que apesar de ser maravilhoso, não é tão procurado nessa época: Lençóis Maranhenses (a alta temporada é no meio do ano, quando as lagoas atingem sua capacidade máxima).
Destino escolhido então era hora de começar a fazer as reserva: passagens, hotéis, translados. Nesse momento é que quem não tem muita experiência ou relativa paciência, volta correndo para as agências de turismo, mas calma, nem tudo está perdido. Uma boa leitura no livro ou no blog (Viaje na Viagem) do Ricardo Freire (sim, sou fanzoca do cara!) ajuda em muito a perder esse medo. Se bem que ele recomenda e muito um agente de turismo, mas, bem, sabe como é que é ... ele vive viajando. Óoooooobio que os agentes irão tratar ele bem. Agora se tu não és famoso, rico, ou viagem muito... well... depois não diz que eu não avisei. Veja bem, falo isso para aqueles turistas, que assim como eu, não gostam de lugar comum, pacotes prontos e etc. Gosto é único e particular, portanto, sem discussões a respeito, certo?
Voltando as reservas, tenho que admitir que até quem tem experiência fica um pouco irritado com o despreparo, turisticamente falando, do maranhense. Conseguir uma resposta rápida e compreensível é quase uma tarefa para Hércules. Internet para a maioria é só pra enfeite. Não serve para nada. Responder emails, pra que não é mesmo? Sinceramente, não entendo porque gastam dinheiro criando páginas e mais páginas se no final tu vais ter mesmo é que usar o bom e velho artefato criado por Graham Bell. E é bom estar alerta, porque nem tudo que reluz é ouro... mas sobre isso falo mais na frente.
Feitas algumas reservas. Saímos de Porto Alegre no dia 31 de Dezembro. E apesar de todas as exclamações e espantos de que passaríamos a virada do ano no aeroporto, chegamos em São Luis no horário previsto (a fé não costuma faia.. ehehhe).
Fomos direto para o hotel, afinal queríamos descansar para aproveitarmos melhor a virada na beira da praia. Expresso XXI é o dito. Regular. Nada surpreendente, mas bem localizado para quem quer vivenciar a parte nova e badalada da cidade (a beira mar). Um pouco distante do centro histórico, nos serviu imensamente, pois queríamos pular as 7 ondas sem no entanto ter que ficar em filas e mais filas de trânsito.
Falando no dito, resolvemos sair cedo par a orla. Como não conhecíamos a cidade o melhor era não dar chance para o azar. Tínhamos alguns restaurantes pré-selecionados para jantar, só que para nossa surpresa estavam fechados. Agora me diz quem fecha um restaurante no réveillon, principalmente se está localizado no epicentro da muvuca? Mas tuuuuuuuudo bem. O jeito era improvisar. Ficamos caminhando pelos inúmeros barzinhos a procura de um lugar bom e barato. Sim. Porque haviam alguns restaurantes cobrando R$ 150,00 por cabeça, por um Buffet que não valia nem R$ 30,00.
Acabamos optando pelo Bar Jeito Carioca, que depois de alguma negociação, topou não cobrar “taxa” pelo uso da mesa, desde que, claro, jantássemos e desocupássemos a mesa antes das 23 horas. Como nosso objetivo era comer e sair caminhando pela orla, não nos importamos muito. Escolhemos provar caranguejo pela primeira vez. Não preciso nem dizer que... odiei. Muitoo trabalho para pouco prazer, fora a quantidade obscena de coentro que eles colocam que fica praticamente impossível sentir o gosto de qualquer outra coisa. Depois fiquem sabendo por uns amigos que o problema foi que não me ensinaram a comer direito (sei não Vânia, Mary, JB e Luis... vou deixar pra provar novamente ai em Belém. ;-)). Mas até que provem o contrário, sinceramente não vou perder mais meu tempo com isso.
Conforme o combinado, saímos do bar antes das onze e fomos caminhar na beira do mar. Fazia tempo que não ficávamos só nós dois, conversando sem nenhuma preocupação com tempo ou horário. Foi maravilhoso, pois muitas famílias e casais assim como a gente andavam despreocupados, rindo, brincando. O luar fornecia luz e dava o clima perfeito para a caminhada.
Depois de uns 3 km (inacreditável, mas caminhamos tudo isso sem sequer notar), paramos em frente ao palco montado onde logo, logo teria o show do Fábio Junior. Confesso que não sou fã do cantor, mas a hora que ele começou a cantar Epitáfio, do Titãs, alguns minutos depois da meia-noite, fique muito feliz de estar ali. E feliz de estar ao lado do meu marido. E pela primeira vez na vida passei o meu réveillon sem chorar, apenas com uma paz imensa no coração, com a promessa de um 2009 inesquecível.

Balanço do dia:
Onde: Porto Alegre – Brasília – São Luis
Hospedagem: Expresso XXI. Honesta e limpa. Colchões sem mola individuais.
Tempo: Nublado
Ponto Alto: Show do Fábio Junior na beira mar
Ponto Baixo: Troca de lugares no vôo, devido aos assentos não marcados anunciados na última hora.
Sorte: Taxi na volta do réveillon. No meio da muvuca, um pouco antes da lomba pra lá de imensa.
Nunca mais: comer caranguejo inteiro. Muito trabalho e sujeira para pouco prazer. Coentro in natura.
Nível de cansaço: 150%
Compras: inacreditavelmente, nenhuma.

Fotos: http://www.flickr.com/photos/temperosdavida/sets/72157612794740452/

terça-feira, abril 08, 2008

Quando beleza não põe mesa!

Ando meio desmotivada para escrever, para variar um pouco. Assunto até que eu tenho, mas ocupo meu tempo vendo pessoas hiper talentosas que quando me volto para meu trabalho acabo sem vontade de criar. Perfeccionismo? Talvez. Sempre acho que o trabalho do outro tem mais qualidade do que o meu.

Mas hoje não é esse assunto que quero falar, já que vira e mexe o assunto é esse. Hoje quero falar sobre meu passeio no feriado de Páscoa.

Vou começar dizendo que o porquê do título. Há muito eu havia descoberto essa pousada em Pelotas, na época estava procurando lugares interessantes para visitar na minha lua-de-mel. De cara fiquei encantada com a beleza do lugar e com a história por trás daquele recanto. Mas acabamos optando (meu marido e eu) por deixar Pelotas fora da nossa rota, pelo menos naquela viagem. Ficava então uma boa desculpa para viajarmos em uma próxima ocasião.

E essa oportunidade veio quando minha irmã e meu irmão nos convidaram para passear no feriado de Páscoa. O projeto inicial era irmos para o Uruguai, porém como meu afilhadinho não suporta viagens muito longas, sugeri de conhecermos Pelotas. Fui logo falando para eles entrarem no site da pousada. Não deu outra, foi paixão a primeira vista!

Reserva feita com mais de 1 mês de antecedência, partimos para Pelotas na sexta-feira Santa. Depois de almoçar em Rio Grande (tínhamos ido buscar a namorada de meu irmão), chegamos à pousada por volta das 15h00 horas. Enquanto todo mundo se instalava resolvi dar uma olhadinha ao redor. Fui direto para a piscina, já que fazia um tremendo calor, imaginando que depois de me instalar um banho ia ser show de bola. Qual minha surpresa? Um monte de operários montando estrutura para aquilo que parecia ser uma festa de casamento. Dito e feito. Perguntei para o menino que nos recepcionou se aquilo era uma festa. Ele prontamente informou que sim, que haveria um casamento no dia seguinte, que deveria durar até as 18:00. Como assim?! E os hóspedes? E a gente?! E toda a infra-estrutura apresentada no site? Paz, tranqüilidade, piscina, café da manhã admirando o rio?

Fiquei muito indignada, mas meus irmãos me disseram que já havíamos pago metade das diárias (sim, com antecedência!). E não adiantava nada brigar àquela hora e estragar nosso passeio.
Resumo da ópera: não pudemos aproveitar a piscina na sexta, no sábado tivemos que ficar o dia inteiro fora e quando chegamos, a festa ainda ocorria. Som alto, trânsito no estacionamento e uma baita de uma irritação.

Conversamos com a proprietária que nos informou que eles têm o costume de alertar seus hóspedes no momento da reserva sobre inconvenientes como esses. Só que isso não aconteceu conosco. Informamos que em nenhum momento fomos informados sobre o casamento e que havíamos ligado várias vezes em busca de informações, portanto oportunidades foram o que não faltaram nesse caso. Para tentar amenizar nossa indignação nos ofereceu diária prolongada no domingo ou se quiséssemos uma diária em haver pra uma futura visita. Eu não queria aceitar, por mim não pagava era nada. Mas novamente fui voto vencido. Aceitamos a opção de uma diária prolongada no domingo. O que só nos serviu para descansar um pouco, já que esfriou e não pudemos aproveitar a tão sonhada piscina.

Agora já sabem o porquê do título. Nem sempre um lugar lindíssimo é a melhor opção. Precisamos mais do que apenas lindas paisagens e acomodações. Precisamos de bom atendimento, simpatia e respeito, acima de tudo. O lugar é inegavelmente deslumbrante, mas não oferece aquilo que alguém que busca uma pousada procura: tranqüilidade e bons anfitriões. Se eu quisesse frieza no atendimento e respostas prontas, procuraria um hotel. Quando busco uma pousada quero ser atendida pelos proprietários. Quero ser recebida com um sorriso no rosto, um chimarrão quentinho e uma boa conversa.

E tudo isso é o que você não encontra na Pousada Charqueada Santa Rita. Assim como não encontra um museu do charque ou espaço para andar a cavalo. O museu é um espaço de no máximo 2X3 metros, onde se encontram figurinos utilizados em uma peça, algumas cadeiras, posters e ilustrações. Tudo cheirando a mofo e descaso. Nada remete ao charque, a não ser uma maquete do que teria sido a antiga charqueada Santa Rita. E andar a cavalo só se for para fora da propriedade, já que a mesma é bem pequena. Ah! Se for andar fora, tome cuidado, pois a localização da pousada é bem ruim, em um bairro mais retirado, meio periferia.

Ah! Mas o visual da pousada é deslumbrante....
See ya,
ps: quem quiser pode dar uma olhadinha nas minhas fotos lá no flickr.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

(Yes, Im alive...) Honeymoon part III - Mi Buenos Aires Querida!





Sei que faz tempo que não escrevo nada. Novidades eu até que tenho, mas ando com meu espírito tão inqueto com as coisas e novidades que não me motivo para registrar aqui. Dont ask me why... porque nem eu mesmo sei.

Mas voltando ao foco, ainda não consegui terminar nossa grande viagem de lua-de-mel. Faltam ainda mais 3 partes. O texto já está pronto. Falta mesmo é arrumar as fotos. Vou me empenhar para ver se consigo postar tudo essa semana. Vamos ver...

Sem mais delongas:


Honeymoon – Part III – Mi Buenos Aires Querida!




Pois ora vejam, o nome do BuqueBus que nos levou de COL a BA era Patrícia Olívia II. Bom sinal, não? O trajeto foi tranqüilo apesar da chuva. O Rio do Prata com sua cor chocolate me lembrou em muito o meu amado Guaíba.

Desembarcamos em pleno Puerto Madeiro e a passagem pela alfândega não podia ser mais tranqüila. Na saída, serviços de translados para o hotel eram oferecidos por preços bem diferentes dos praticados pelos táxis nas ruas. Definitivamente não contrate nenhum deles. Se não estiver com muita bagagem, saia do porto, ande 2 quadras e pegue um táxi normal. Você vai pagar ¼ do ofertado anteriormente. É claro que essa é uma dica para quem não gosta de ser explorado e, principalmente, não se importe de ter um pouquinho de trabalho. Não. Não sou pão-dura. Mas acho uma baita sacanagem cobrar muito mais caro pelo mesmo trajeto só porque o turista desconhece o preço original. No meu caso, como não era marinheira de primeira viagem, pude fazer essa escolha. Imagina quantos não caem diariamente nesse engodo?

Chegamos no Íbis-Congresso a baixo de uma chuva torrencial (começou a chover assim que entramos no táxi. Ufa!). Como não havíamos almoçado, deixamos nossas bagagens no quarto e optamos por um lanche rápido ali pelos arredores do hotel. (com aquele aguaceiro todo ficamos desmotivados a passear).

Paramos em um típico restaurante de executivos. No menu papas e milanezas predominavam. Optei por uma torta de Queso e Calabaza, achando que ia ser um maravilhoso. Afinal quem não gosta de queijo e calabresa? Só tinha um porém, a torta não era de calabresa era de abóbora de pescoço. Dá para acreditar? Sim. Nada melhor para conhecer um país e sua cultura do que desvendar sua culinária. Descobri a duros panos que o povo de lá adoooooora comer torta e purê salgado de abóbora de pescoço. Não recomendo. Principalmente, quando você dá uma garfada esperando um gosto e fica uns 10 minutos tentando registrar no seu cérebro que aquele gosto não é o gosto que estava esperando.

Depois do desastroso almoço e com a chuva aumentando incrivelmente, decidimos que o melhor mesmo era descansar no hotel. Não poderia ter sido melhor escolha. BA é uma cidade da noite, tudo fica aberto até tarde.

Aproveitamos para matar a saudade do centro e fomos caminhar até as Galerias Pacífico. Apesar de estarmos um pouco longe da região central, a caminhada foi tranqüila. Percorremos a Santa Fé e tantas outras avenidas e ruas que trouxeram lembranças de uma viagem perfeita feita 1 ano antes. Passamos na frente da Casa de Câmbio onde o pedido oficial de casamento foi feito. Pena que estava fechada, senão teria entrado para tirar uma foto lá dentro. Mas já vale a fachada, para manter viva a recordação.

A janta foi em um restaurante indicado pelo nosso taxista. Inicialmente não acreditamos no potencial do mesmo, mas depois vimos que às vezes as melhores coisas vem de fontes jamais imaginadas. Para quem não conhece e que pretende visitar BA recomendo com muitas estrelas o Museo Del Jamon. Só de escrever já dá água na boca. Comida espanhola da melhor categoria.

O preço na primeira impressão não parece muito justo, mas ao término da refeição se faz bem coerente. Já de cara somos recebidos com a cortesia da casa : uma taça de champagne ou um copinho de Jerez bem geladinho. Óbvio que optamos pela Jerez, até porque champgane tomamos sempre, já o Jerez...e para acompanhar nos ofereceram pequenos quiches de cebola deliciosos. No cardápio comida bem mediterrânea, e apesar do nome do restaurante se chamar Museo do Presunto, poucos pratos principais contém essa iguaria, na sua maioria os pratos são de peixe e frango. Mas existe claro a opção de entrada que oferece vários tipos de presunto.

Escolhemos um peixe recheado com presunto cru acompanhando de... batatas é claro! Como eu estava com saudades do meu branquinho pedi uma porção de arroz à parte (que estava bem grudento, mas que não desmereceu em nada o prato). O prato não era propriamente dito grande, mas dividimos assim mesmo. O azeite de oliva não poderia ser de melhor qualidade e acentuou ainda mais o sabor já delicioso do prato.
Para sobremesa um sorvete de Dulce de leche que era um esplendor. Finalizamos com mais uma cortesia da casa: Lemoncelo.

Lemoncelo é um licor de limão que é muito consumido por lá para auxiliar na digestão. Pura verdade. Além de delicioso, quando se termina o copinho tem-se a sensação de não ter exagerado nada na refeição apesar de sim, ter-se exagerado. Uma regra porém: consumir extremamente gelado. Nós que não somos bobos nem nada, no outro dia compramos uma garrafinha para levar para o Brasil.

Reservamos o segundo dia em BA para fazer pesquisa de preços de couro na Florida, para que depois pudéssemos comparar com os preços da rua dos couros AAAAAA . Uma dica, se quiser economizar vá até lá. Foge um pouco dos roteiros normais, mas os preços de lá são bem mais atrativos e os couros são de melhor qualidade. O táxi do centro até lá sai algo em torno de R$ 20,00 apesar da distância ser um pouco grande, compensa.

Para escapar um pouco da “milaneza+papas” resolvemos almoçar em um restaurante mexicano ali perto da florida. Que escolha desastrosa. Primeiro, ficamos oras esperando o garçom nos atender. Depois pedimos um prato que basicamente era alface, tomate e carne muito da mal temperada e que mais parecia comida de passarinho de tão reduzido. O jeito foi se entupir de couvert. Por falar em courvet (pães maravilhosos + manteiga = 300 kg a mais na balança) esse foi nosso maior pecado durante toda as férias. Simplesmente impossível resistir aquelas cestinhas de pãezinhos que todos os garçons insistiam em nos apresentar logo que sentávamos a mesa. Ah! O nome do restaurante para que jamais tenham a vontade de entrar é Acapulco, pode?
Fizemos um pit stop na Havana para atender as encomendas feitas. Paramos em uma livraria e nos enchemos de bobagens e por fim uma bela ida ao supermercado Carrefour.

Supermercado? Sim. Um supermercado básico, porque adoro descobrir temperos, molhos e coisas bem diferentes das produzidas aqui no Brasil. Não deixa de ser uma forma de perceber a cultura do país. Um exemplo é um corredor destinado a vender farinha especial para empanados ou melhor dizendo para as famosas milanezas . Nunca vi tantas marcas e tantas opções na minha vida! Era com sal, com tempero, fina, grossas, com queijo..ufa! E aqui mal temos a farinha de rosca e olhe lá. Acabei não trazendo nenhuma, mas me arrependi bastante depois. Minhas grandes aquisições, entre outras, foram produtos típicos da região da patagônia: fumaça líquida, catchup de rosa mosqueta e molho apimentado de framboesas.

Jantamos em uma pizzaria do lado do hotel. Fraquinha, mas com a fome que estávamos e o cansaço foi a melhor pedida.

Acordamos cedo com uma missão: comprar nossos tão queridos casacos de couro. Fomos direto para AAAAA . Pesquisamos bastante e saímos bem satisfeitos com o meu de 7/8 de couro de ovelha (U$ 230) e o meu maridão modelo ala “motoqueiro harley Davidson” (U$ 180,00). Almoçamos ali pela região mesmo. Um botequinho bem limpinho e que surpreendeu na qualidade. Prato? Milanezas con...papas!! Mas devo confessar que estavam ótimas. A indicação da atendente da loja de roupas (malhas, não couros) foi excelente.

Depois de largar nossas compras no hotel partimos para conhecer uma livraria muito original El Ateneo . Essa livraria foi montada dentro de um antigo teatro de BA. No primeiro andar (platéia) ficam milhares de estantes que seduzem a cada passo os amantes da boa leitura. Aos que se permitem o prazer, é possível “aperitivar” os livros sentando em um das poltronas localizadas em antigos camarotes. Mas se o caso é de fome, ande até o palco e tome um café admirando os “espectadores” do mundo na visão de quem dá o espetáculo. As crianças também têm vez nesse mundo à parte. Basta leva-las para o porão abaixo da platéia para encontrar toda a fantasia e encantamento que só um bom livro pode proporcionar. No segundo andar se encontram cds e dvs diversos. E no terceiro, além da visão de todo o teatro-livraria, um espaço para exposições de arte em geral.

Não preciso dizer que enlouqueci, certo? Minha vontade era sair comprando todos os livros. Mas me contentei com pequenos livrinhos de frases sobre amor, sorte e sonhos, e um livro de conservas argentinas e uruguaias para minha coleção, é claro.

Cansados, mas imensamente satisfeitos. Voltamos para o hotel admirando os prédios. Encantando-se com as luzes da noite se misturando com os passantes voltando para suas casas. Imaginamos como seria viver ali. Olhamos vitrines sendo fechadas. O aroma de comida no ar.

Optamos por comprar algo e comer no hotel mesmo, pois nossos pés estavam em rebelião total, depois de horas de caminhadas. Nossa pedida foi óbvia: pizza & cerveja. Porém tínhamos um probleminha, no Íbis não tem frigobar (por sinal, única coisa ruim dessa rede). Mas o maridão achou uma solução: pendurar em uma sacola as cervejas geladinhas pelo lado de fora da janela, já que a temperatura lá fora era algo em torno de 12ºC. Funcionou esplendidamente... por alguns minutos. Mas tudo era festa e tínhamos acabado de descobrir a melhor pizzaria do mundo (pelo menos naquele momento ;-). Zappi é o nome da pizzaria feita em uma portinhola, mas que tem um sabor inigualável. Super bem recheada e com preço justo, não é algo muito fácil de encontrar em BA. Pelo menos para nós.

Existe coisa melhor do que re-visitar lugares que conhecemos em viagens anteriores, não né? Então aproveitamos o sábado para andar pelas ruas da Recoleta e almoçar em um restaurante memorável. Descobrimos o Jose Luiz quando fomos ao Show do U2 em BA em 2006. Daquela vez, apesar de não termos feito reserva e a casa estar lotada, fomos atendidos como clientes vips. Recebemos Xerez e azeitonas negras e verdes para compensar o atraso, e isso nos deixou um gostinho de quero-mais. Portanto, fomos verificar se os sabores e o atendimento continuavam tão precisos.

A resposta é clara: continuam insuperáveis. Optamos por uma Paella Valenciana. O vinho, indicação da casa, era de um sabor único e refrescante. A sobremesa foi à mesma da última vez: Mousse de Torrone. Imbatível! Queria descobrir a receita, mas tenho certeza que a mesma deve estar guardada a sete chaves! Para finalizar um lemoncelo espanhol delicioso e geladinho. Precisa dizer mais?

Nossa segunda parada foi a Igreja Nuestra Señora Del Pilar. Localizada bem no meio da recoleta essa igreja é um show à parte. Alva, ofusca a noite. Durante o dia é possível conhecer os antigos claustros. Apesar de ser bem pequeno o local, a atmosfera com cantos gregorianos traz uma paz imensa. O engraçado é que no primeiro momento temos a impressão que um coral está em localizado em algum lugar da igreja e que fomos sortudos suficientes para ouvi-los. Prestando mais a atenção descobrimos que tudo não passa de um efeito de uma acústica estudada e de caixas de som escondidas por todos os cantos (o que não diminui em nada o encanto, diga-se de passagem). Colada à igreja fica o cemitério mais famoso de BA. Como visitar mortos não é meu passeio preferido, deixamos de lado essa parada. Mas quem já viu, disse que vale a pena.

Aos sábados junto à praça da Igreja tem uma feirinha de artesanato que de “inha” não tem nada. Aproveitamos e demos uma passada por lá. E, para não contrariar a regra, acabei comprando uns gatinhos de madeira lindinhos. Algumas quadras dali seguindo pela grande avenida Del Libertador fica o Museu Nacional das Belas Artes. Infelizmente acabamos vendo muito pouco do museu. Isso porque eu tive a proeza de perder a chave do armário a onde estava minha bolsa (bolsas grandes não são permitidas, é obrigatório deixar na chapelaria). Tivemos que correr até a entrada rezando para que ninguém tivesse achado e levado nossas coisas. Graças a Deus isso não aconteceu. Mas o susto foi tão grande que a vontade de passear encerrou-se ali.

Mais algumas quadras, caminhando pela avenida, se encontra a famosa flor de metal de BA. Chamada de “La flor gigante” é monumento lindíssimo tão durante o dia enquanto está aberta, quanto a noite quando se fecha e se ilumina. Continuando pela avenida (falei que era grande) já no bairro Palermo fica o museu Malba. Esse acabamos não conhecendo, devido ao horário e ao cansaço da caminhada, porém vários sites recomendam a visita.

Encerramos nosso dia, visitando o Shopping Paseo Alcorta , primeiro porque ali tinha um Carrefour que de acordo com a dona do José Luiz estaria vendendo um Xerez importado muito bom e com preços atrativos, segundo porque estava no nosso caminho (é.. fica bem pertinho da avenida Del Libertador). Não conseguimos achar o tal de Xerez. E olha que procurarmos por todos os corredores e interrogamos no mínimo umas quatro criaturas. Vai ver a senhora do José Luiz se enganou. Olhamos algumas lojas e depois fomos para o hotel. Jantamos por ali mesmo. Eita escolha errada. Comidinha de hotel é dureza. Mas meus pés não agüentavam mais um passo se quer.

Domingão já estava reservado para passearmos por Palermo Viejo. Mais precisamente na feira de artesanato da Praça Cotazar. O frio não ajudou muito e por isso não havia tantos expositores nas ruas. Era necessário entrar nos bares noturnos que se transformam em galerias abertas durante o dia. Mas como adoro aquele bairro e seu ar avant-gard , o passeio foi tão memorável quanto da última vez. Almoçamos em uma parrillaria (será que existe essa palavra?) show de bola com um atendimento vip. Geralmente não sou fã de parrilla, prefiro nosso tradicional churrasco. Mas essa surpreendeu. Porção generosa e sabor inigualável. A tarde aproveitamos para fazer uma comprinhas na Papelera Palermo que é um sonho de consumo. Cada vez que vou ali tenho vontade de comprar tudo. Papéis diferenciados, álbuns daqueles antigos únicos. A decoração por si só já é uma atração à parte. Só vendo para entender.

Como adoramos rever lugares já vistos, fomos na padaria dos sonhos onde os doces são de uma beleza de deixar até os mais resistentes com água na boca. O bom dessa região é que não precisa se andar muito para ver lojas diferentes e lugares incríveis. Se me perguntassem um lugar imperdível em BA, diria sem pestanejar: Palermo Viejo.

Último dia em BA optamos por conhecer El Palácio de Aguas ou central de distribuição de água. O prédio mais parece um palácio imperial do que uma imensa caixa d’água, e foi isso que nos chamou a atenção da outra vez que estivemos em BA. Quem vê por fora não conseguem nem imaginar a estrutura que existe por debaixo de toda aquela construção. São tanques gigantes distribuídos em 3 andares. A arquitetura foi desenhada por uma empresa inglesa e praticamente todas as peças decorativas que compõe o prédio foram trazidas da Bélgica e Inglaterra. Existem visitas guiadas para quem quiser conhecer todo os andares, mas justamente no dia que estávamos lá aconteceria uma exposição na semana seguinte e as mesmas estavam canceladas. Ficamos apenas com o museu com seus vasos sanitários de várias épocas, encanamentos e ladrilhos antigos. Uma pena. Mas existe melhor desculpa para voltar para BA?

Almoçamos porto madero em um restaurante italiano muito bom. Já haviamos estado ali antes. A comida estava ótima. Tivemos um pequeno incidente com a Cesar Salad (encontrei um pequeno inseto, mas inteiro, graças a Deus), mas que prontamente foi solucionado com a troca da minha entrada por outra opção a minha escolha. Claro que sempre fica aquela sensação ruim, mas de resto a vista linda para o canal compensou tudo.

Apesar da longa distância fomos caminhando até o hotel. Percorrendo avenidas e ruas, pudemos conhecer um pouco mais da BA dos moradores e não tanto dos turistas. As lindas floriculturas nas calçadas me encantaram. A arquitetura antiga lembrando Paris é algo que sempre me faz amar BA.

Chegamos ao hotel para descansar e deixar as malas prontas, já que partiríamos pela manha do dia seguinte. Com tudo pré arrumado, fomos conhecer um dos cafés mais charmosos e antigos de BA, chamado Las Violetas. Fundado em 1884 conserva na sua arquitetura todo os vitrais típicos da época. O serviço de chá para dois é imenso e comporta certamente 4 pessoas. O visual das guloseimas é bem rústico, mas o sabor supera a aparência, valendo os 38 pesos pagos. O único porém é à distância. Fica razoavelmente longe do centro turístico de BA, o que transforma o seu maior concorrente (Café Tortoni) em atração única. Porém em beleza, tradição e sabor ambos são muito parecidos.

Nos despedimos na manha seguinte de BA com a sensação de que poderíamos morar naquela cidade. E que muitos retornos acontecerão ainda, quem sabe um revival de 1 ano de casados?

quinta-feira, novembro 29, 2007

Honeymoon – Part II – Colônia de Sacramento

Previous : Honeymoon part one

Acordamos e o cansaço era visível, então mudanças de plano foram necessárias. Nossa idéia inicial era partir direto para BA e só no retorno conhecer efetivamente a cidade de Colônia. Mas o bom de uma viagem a dois e sem pacote é poder alterar as rotas. Pedimos para a recepcionista ligar para o ÍBIS-BA e solicitar a troca de nossa reserva. Com nossa solicitação atendida partimos para desvendar a pequena ciudadela.

Infelizmente o São Pedro não colaborou muito (e ele fez isso durante toda nossas férias!). O tempo estava cinzendo e chuvoso, o que realmente prejudica um pouco as fotos, mas nunca a beleza do lugar. Tínhamos visto um pouco mais cedo no hotel que a prefeitura disponibiliza passeios guiados a tarde desde que não haja chuva. Porém, quando saímos do hotel estava chuviscando que nem nos demos o trabalho de procurar esse serviço. Ledo engano! Depois acabamos cruzando com o grupo guiado e foi uma pena termos perdido. De qualquer forma, eu havia preparado um book sobre a Colônia, portanto não estávamos tão desconectados da história do lugar.

A história da Colônia de Sacramento é marcada por disputas entre Portugal e Espanha. Não vou descrever a mesma, porque não sou tão boa em história e também porque acho legal descobrir essas coisas procurando na internet. Mas adianto que vale a pena. Bom voltando para o passeio, existem dois pontos a serem visitados na cidade: um o centro histórico e o segundo é o que eu vou chamar de mini cais do porto.


O primeiro é uma passagem de ida direto a época colonial, através de uma máquina do tempo. Principalmente porque há uma nítida separação entre a moderna Colônia e a antiga. O centro (não necessariamente geográfico) se encontra em uma ponta quase que acuado pela civilização. Logo que adentramos podemos ver que as casas estão muito bem preservadas e as ruas de pedras são encantadoras. Todas as ruelas foram feitas inclinadas de modo que a água da chuva não criasse poças. (Nenhuma novidade para quem já conheceu Ouro Preto, mas não deixa de ser fascinante).

O Farol é um ponto de visitação obrigatória. Primeiro porque lá de cima é possível enxergar toda a cidade. Segundo porque se o tempo não estiver ruim, dizem, dá para ver BA do outro lado do Rio da Prata. Eu, como já sabem, só pude aproveitar a vista e já valeu a pena. O custo para subir é ridículo: 20 pesos uruguaios ou 2 argentinos (Sim. Eles aceitam a moeda Argentina em toda cidade devido ao intenso fluxo de hermanos.).


Para o almoço optamos por um Chivito al plato e uma Patrícia bem geladinha. O prato era tão grande que não deu para comer tudo. Mal sabíamos que a partir daquele momento só veríamos “milanezas e papas fritas” como se fossem nosso feijão com arroz. Por falar nesse último, prepare-se, definitivamente esse cereal fundamental para os japoneses e básico para nós não é muito apreciado por lá (pelo menos nos restaurantes mais populares). Para terem uma idéia do desespero cheguei ao cúmulo de pagar 10 reais por uma porção minúscula de arroz branco. O forte lá é mesmo as batatas. De todos os tipos: fritas, cozidas, em forma de purê, ala Provençal... etc.




Andamos mais um pouco pela cidade para fazer um reconhecimento da área e fomos comprar as passagens do BuqueBus (serviço de transporte náutico que faz o trajeto Colônia-Buenos Aires). Não fizemos nenhuma reserva prévia e não tivemos nenhum problema de disponibilidade. Os barcos partem diariamente e possuem uma escala de horários bem interessante. Claro que optamos pela rota mais curta que apesar de mais cara vale a pena. A outra rota leva 3 horas (a nossa levou 1 hora) e os horários não são tão atrativos. Um conselho: não leve o carro para BA. O custo para transportar o carro ida/volta é altíssimo, o táxi em BA é ridículo de tão barato, e o trânsito de BA definitivamente não é para nós. Eu que não sou boba nem nada, já havia pesquisado na internet sobre o assunto e previamente combinei com o hotel para deixar nosso carro por lá até retornarmos. Quem não quiser essa opção existem garagens bem localizadas que cobram 40 reais por mês. O que convenhamos não é nada.





Voltamos para o Bahia Playa para descansar e preparar as malas. O jantar foi lá mesmo, uns deliciosos sorrentinos de jamon e queso. Pena que não tirei nenhuma fotinho...















quarta-feira, novembro 07, 2007

Honeymoon - Part One


Depois de acordarmos totalmente exaustos pela dança e pela felicidade resolvemos que o melhor seria adiar um pouco nossos planos e pegar a estrada no dia seguinte. Até porquê tínhamos que arrumar as nossas malas, já que para variar tudo ficou para a última hora.

Acordamos as 05:30 de segunda-feira (10/09/07) dispostos a enfrentar uma jornada e tanto. Como eu havia reservado nossa primeira estadia para Colônia de Sacramento para esse mesmo dia (baseada é claro que iríamos viajar no domingo), tínhamos que cruzar todo o Rio Grande do Sul e boa parte do Uruguai sem muitas paradas e em no máximo 12 horas para não perdermos nosso quarto. E foi exatamente esse o tempo que levamos.

Se eu estivesse lendo essa história de cara pensaria “mas que malucos, chegaram podres ao lugar...”. Só que o final foi bem diferente. A estrada até lá é praticamente deserta (com exceção é claro do trecho dentro de Montevidéo), portanto sem o stress que gera o cansaço no corpo. E nós gostamos de viajar de carro porque sempre vamos conversando sobre a vida, sobre projetos tudo regado a um bom chimarrão e petiscos que preparo de antemão.

Planejamos ir pela fronteira Jaguarão-Rio Branco e voltar pelo Chuí, pois assim teríamos duas perspectivas diferentes do Uruguai e também porquê a primeira rota é mais curta do que a segunda, apesar da rota Chuí ser a mais utilizada.

Cruzamos a fronteira exatamente ao meio-dia. Infelizmente acabei não conseguindo tirar uma foto da ponte (estilo medieval) que divide os dois países. Estava fazendo a última ligação por celular para meus pais e quando me apercebi já estávamos dando entrada nos papéis da imigração. Nada poderia ser mais simples. Em 3 minutos já estávamos novamente na estrada.







O Nielson prontamente ligou o rádio nas estações locais. “É para a gente ir se acostumando com espanhol..” Disse ele bem animado. Durante praticamente todo o percurso tivemos como companhia vacas, algumas ovelhas e uma imensidão de campos e mais campos.

O tempo foi algo peculiar. Saímos com frio e nublado. Seguimos com neblina, depois sol e por fim um temporal prolongado. Quatro estações em único dia.

As condições da Ruta 33, como é chamada à estrada que liga Rio Branco a Montevidéo, são ótimas. Nosso único susto foi quando de repente, não mais do que de repente, o asfalto se torna estrada de chão sem nenhuma indicação (até rimou!). Passado o susto e certeza que tínhamos nos perdido, foi bem interessante perceber que ao invés de “recapar” o asfalto defeituoso, os uruguaios optam por retirar todo o asfalto velho e colocar um novinho em folha.





Paramos para abastecer em Minas (Lavallera), cidade da minha cerveja predileta: Patrícia. É claro. ;-) . Fui super bem recebida. Tinha até um outdoor para mim.ahhaahah. Brincadeiras a parte, foi uma pena não termos nos apercebido disso antes, ou melhor termos nos informado. Pois teríamos visitado a fábrica que fica a poucos km da rodovia. Chegamos a ver a placa no topo da fábrica, mas como não tínhamos certeza, seguimos a diante. Só mais tarde fomos descobrir tudo. Mas quem sabe de uma próxima vez.?

Pagamos nossa primeira conta no Uruguai com nosso super cartão de crédito que acabou sendo o nosso salvador da pátria, mais “adelante” eu explico. Chegamos em Montevidéo por volta das 16:00 horas. Tínhamos que achar uma casa de câmbio urgente, pois o pouco peso que tínhamos havia sido gasto nos pedágios (Sim. Muitooos pedágios!). Os bancos e casas de câmbios costumam fechar as 17:00. Ou seja, tínhamos 1 hora pra atravessar uma cidade que não conhecíamos e encontrar a bendita, para não ficarmos sem dindim. Imaginou o desespero? Não tínhamos mais dinheiro para os pedágios e faltava ainda 2 horas até a Colônia de Sacramento...No final deu tudo certo. Conseguimos trocar nosso dinheirinho e pudemos seguir a diante.

Com a ajuda de um estranho muito atencioso que nos guiou até a rota de saída de Montevidéu partimos para mais 2 horas de carro até Colônia. O caminho é um pouquinho menos solitário, a estrada tranqüila. Pegamos um temporal que durou todo o percurso. Uma coisa bem pitoresca é que da metade em diante a estrada é “decorada” com palmeiras ala Palm Beach (não que eu já tenha estado lá, só vi em revista e filmes, mas é igualzinha). Nem parece que estamos no Uruguai.





Por volta das 19:00 horas finalmente chegamos a Colônia. De cara demos com o porto e o terminal do BuqueBus (que logo nos levaria para Buenos Aires). Cansados muito mais pelo casório do que pela viagem, pedimos informações e rapidinho chegamos ao Bahia Playa. Confesso que de cara o hotel me decepcionou um pouco. O quarto era pequeno e simples. O banheiro era bem antigo, o box minúsculo (mal cabia uma pessoa) com aquelas cortinas de plástico. Realmente um quarto para veraneio. No quesito higiene tudo estava dentro dos padrões esperados. E como nem tudo era desgraça aproveitamos para relaxar dentro de uma piscina térmica show de bola.






quinta-feira, maio 17, 2007

Antônio Prado - Fim




No dia seguinte levantamos, tomamos café e nos despedimos da pousada Zanotto com a promessa de voltarmos no inverno. Fomos passando por aquelas estradinhas rumo ao centro da cidade, com uma nostalgia imensa. Lugar tranqüilo onde a paz encontrou repouso.

Decidimos voltar para Porto Alegre pela antiga estrada, conhecida como “Caminho da Imigração”, que se chama dessa forma, pois foi por ali que os primeiros colonos italianos passaram para chegar a região.

Aconselho a todos que façam esse passeio. A estrada é pequena e de chão batido, mas o visual é deslumbrante. Fora que podemos visitar algumas famílias que ainda permanecem no local desde o tempo da colonização.




Logo no começo do caminho está localizada o moinho movido a água, que ainda hoje fabrica farinha de milho. É possível fazer uma visita pelas instalações e ver como funciona todo o processo.

Mas não vá esperando uma visita guiada com hora marcada e com explicações técnicas. Infelizmente, por não haver um fluxo grande de turistas e por falta de treinamentos, não existe uma infraestrutura preparada esperando sorridente o próximo grupo para a visita.



Tivemos que bater na porta da casa, perguntar se estavam abertos e se podiam nos receber. Prontamente o fizeram. Disso não podemos reclamar. Mas se o turista é um pouco tímido ou desavisado, passa pelo local sem ao menos perceber que estava perdendo uma ótima visita.




Próxima parada: casa de artesanato. Essa casa fica bem no centrinho do que podemos chamar de “mini-cidade”. Nesse momento, parece que estamos adentrando um filme do século passado. Um faroeste desabitado. Novamente tudo fechado. Tudo bem que chegamos bem perto do meio-dia, hora do almoço sagrada em pequenas cidades. Mas ao menos esperávamos encontrar alguma plaquinha do tipo “hora do almoço, volte mais tarde”. Mas não, só havia o silêncio.

Percebemos que seria inútil tentar visitar a casa de artesanato e a casa do ferreiro. O jeito era ir almoçar. Mas aonde? Sim, porque ali não encontraríamos nada a não ser residências. Pelo mapa que pegamos indicava que o Caminho da Imigração já estava no fim, e que logo entraríamos na RS-122. Então resolvemos almoçar em uma cantina charmosa na beira da estrada. Melhor comida não poderíamos ter. O lugar oferece um rodízio de massa com galeto, mas optamos por algo mais leve, já que teríamos que viajar por quase 3 horas. Escolhemos 1 pedaço de galeto com 1 porção de massa quatro queijos. Massa caseira, amarelinha. Lugar para ser re-visitado com certeza, mas com tempo para apreciar todas as guloseimas oferecidas.

Quando fomos pagar, comentei com a atendente que não tínhamos encontrado aberto nem a casa de artesanato nem o ferreiro. Qual minha surpresa? A moça era prima da dona do artesanato. Prontamente, ligou para lá e pediu que abrisse o lugar para conhecermos.

Confesso que a casa não tem nada de mais a não ser pela arquitetura. Mas valeu para conhecer. Não tinha quase nada de artesanato, mas acabei comprando 1 bonequinha feita toda de palha de milho.

A moça que nos atendeu, informou que abrem muito pouco aquela casa, pois quase não têm visitantes. Informou também que se eu quisesse conhecer o ferreiro bastava bater na porta que eles nos atenderiam sem problema algum.



olha minha bonequinha que fofa...



Batemos e quem nos atendeu foi uma senhora bem velhinha com uma cesta lotada de cachos de uva. Era a esposa do ferreiro. Ele estava doente, mas ela abriria o galpão para conhecermos. Nos contou que ele costuma fazer demonstrações de como trabalhavam no passado. Foi uma pena não podermos assistir, pois o local transpirava uma viagem no tempo.




Na saída, fomos pagar pela visita (não cobram, apenas tem um cartaz pedindo colaboração de míseros R$ 2,50 por pessoa), mas a senhora disse que não precisa já que não tínhamos visto o ferreiro em ação. Dissemos que não tinha problema e que só conhecer o local já valia. Ela acabou aceitando, mas não antes que aceitássemos alguns cachos de uva como retribuição.



E foi assim que encerramos nossa visita a Antônio Prado. Uma cidade encantadora, sem muita aventura, mas com certeza com inúmeras gentilezas de um povo receptivo e pronto para nos atender da melhor maneira possível.